Estamos trabalhando demais?

Estamos trabalhando demais

Na semana passada quando eu voltava de Lisboa para São Paulo, a conversa entre duas senhoras no corredor do avião chamou a minha atenção. Ambas na casa dos 60 anos de idade, cabelos de algodão e muito espertas. Uma brasileira e outra portuguesa.

A brasileira indaga a portuguesa sobre onde ela mora, a colega responde que vive 3 meses no Brasil e 9 meses em Portugal. A brasileira diz sentir inveja e que gostaria de fazer o mesmo, mas que trabalha demais. Nesse momento a senhorinha portuguesa com toda sabedoria que aquela cabeleira branca esconde, soltou a seguinte sentença: “O Brasileiro trabalha demais e vive de menos”.

Era como se ela verbalizasse naquele instante, algo que e eu já trazia na minha consciência mas ainda não tinha conseguido externizar. Desde pequenos, somos moldados para nos esforçar para ter mais e mais. O melhor emprego, o melhor carro, a casa mais bonita da rua.

Somos uma geração que já cresceu bilingue, que aos 20 anos já ganhávamos mais do que precisávamos e bem mais do que nossos pais aos 20 sonhavam em ganhar. Que aos 30 já tínhamos mais que nossos pais aos 40. Mas esse sucesso todo tem um preço.

Pense quantas vezes você teve que recusar convites de happy hour pois estava trabalhando? Aquele aniversário de um amigo que não conseguiu ir? Aquela corridinha no parque que foi abortada por ter que preparar um relatório para segunda-feira?

Fomos transformados em workaholics, o trabalho vem antes da vida social. Deixamos de viver nossos sonhos, deixamos de nos divertir, de viajar, para ficar longas horas a mais no trabalho.

Eu trabalhei para uma multinacional e cheguei a ficar 5 anos sem férias, as vezes, tendo somente os domingos livres, isso quando não trabalhava de domingo a domingo sem trégua. Tenho sorte de não ter enlouquecido, mas vivia constantemente doente. O salário era incrível, mas não tinha vida. Não conseguia usufruir do que ganhava.

Troquei de cidade, de emprego, de área e anos depois percebi que a minha vida estava voltando para aquele ciclo insano e insalubre de trabalho e quando você passa dos 30 anos, começa a avaliar certas coisas. Precisamos de tanto para ser felizes? Precisamos ganhar mais e mais? Não! Podemos ser felizes com pouco, fazendo o que a gente gosta, o que dá prazer.

Nesse momento a gente pensa em como a vida pode ser mais simples, que as experiências que vivemos valem bem mais do que aquela roupa cara.

Aquele bônus no fim do ano, não vai trazer de volta aquela viagem com o namorado, as risadas com os amigos ou os primeiros passos do seu filho. Os anos passam rápido, os 30, 40 e de repente, os 50 batem na porta. De que vale ter tudo, ter mais que os nossos pais tinham com a nossa idade e não ter o principal? Tempo para viver.


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Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

3 Comentários

  • Responder novembro 18, 2015

    MUCIO BRETAS

    Putz, este post, falou muita coisa que precisava ouvir, parabéns.

  • Responder janeiro 9, 2016

    Helena

    Penso o contrário, na verdade. Com um emprego de oito horas, e folga nos fins de semana, nossos pais eram melhores remunerados, construíam suas casas e criavam suas famílias. Hoje, trabalhando o mesmo ou mais, não consigo sair de casa com o dinheiro que ganho, e sigo sem a vida social.

  • Responder janeiro 19, 2016

    Nadia Brauwers

    Concordo plenamente. Eu já tive boa referencia…minha mãe sempre viajou muito e eu já fui criada achando isto normal…me acho privilegiada, tendo em conta que sou de duas ou mais gerações antes da tua, tenho 68 , rsrsrs. Eu ganho pouco e viajo…me programo…passo um ano pagando e quando volto estou sem dívidas e já começo poupando prá outra…não precisa ser rico prá viajar, tem mesmo é que se privar de supérfluos e não seguir modismos e status. Abraços…ADORO TUAS POSTAGENS (acho que já disse isto…) Nádia

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