Torres del Paine: como chegar e como é a visita

Torres del Paine

O Parque Nacional Torres del Paine fica localizado na região de Magalhães, na Patagônia Chilena, extremo sul do país. Definitivamente é o cenário natural mais bonito que eu já visitei e por mais que eu coloque imagens incríveis nesse post, jamais chegarão perto do que é ver essa maravilha da natureza de perto.

O parque foi fundado na década de 50 e é gigantesco. Tem uma área de mais de 242 mil hectares unindo picos nevados, lagos, rios, geleiras, cachoeiras e vastos campos em um único lugar.


Como chegar a Torres del Paine


Para quem vem do Brasil, a melhor maneira é voando até a cidade de Punta Arenas. Eu viajei via Santiago com a LAN, que tem vários vôos diários até lá. A viagem demora cerca de 3h30 e pode ser comprada direto no site da TAM.  A Sky Airline é outra empresa que voa de Santiago a Punta Arenas, vale uma consulta.

Airbus da LAN no gate em Punta Arenas

Airbus da LAN no gate em Punta Arenas

De Punta Arenas é preciso pegar um ônibus até Puerto Natales, a cidadezinha que é a porta de entrada para o Torres del Paine. Três empresas fazem a rota, a Bus Sur, Buses Pacheco e a Buses Fernandes, todas cobram os mesmos preços, 6.000 pesos o trecho ou 11.000 pesos ida e volta. Vale a pena comprar a ida e a volta de uma vez e como não dá para comprar as passagens com antecedência pelo site, a dica é comprar imediatamente após você chegar a Punta Arenas, principalmente na alta temporada quando os ônibus saem com lotação máxima.

Passagens e o folheto com horários

Passagens e o folheto com horários

Eu viajei com a Buses Fernandes, os ônibus são novos e confortáveis, os Buses Pacheco eu notei que são um pouco mais velhos e dizem que a Bus Sur tem wi-fi em alguns ônibus.

A viagem demora umas 3 horas, passa por paisagens incríveis e desembarca no Terminal Rodoviário de Puerto Natales.

Puerto Natales: porta de entrada para o Torres del Paine

Puerto Natales: porta de entrada para o Torres del Paine

Puerto Natales, ou apenas Natales como eles a chamam, é bem pequena e eu fui a pé até o hostel onde me hospedei, não vi necessidade pegar um taxi.

Quando ir?

Essa região é fria o ano inteiro, mas no outono e inverno, o gelo toma conta o que impossibilita o passeio e tão pouco as trilhas. A melhor época é entre novembro e fevereiro, quando as temperaturas atingem máximas de 20 graus e as vezes mínimas abaixo de zero durante a noite, mas não neva.

Como visitar o parque?

São 3 maneiras de visitar o Parque Nacional Torres del Paine. Você pode se hospedar dentro de um dos vários hotéis que ficam lá dentro, como o Vila Serrano, que oferece vários passeios e comodidades inclusas na diária, mas o preço é salgado.

Outra maneira, a favorita dos mochileiros é acampando dentro do parque. Saindo do Terminal Rodoviário, a empresa María José ou Buses Gomez tem linhas até uma das entradas do parque. De lá, os mochileiros fazem a famosa trilha do W, que percorre todo o parque em 3 dias. Eu vi gente de todos os cantos do mundo chegando aos montes o tempo inteiro para fazer essa trilha. Ao longo do caminho existem vários pontos de camping com alguma estrutura como banheiros, mesas e até mercadinhos.

E a maneira mais cômoda de conhecer o parque é fazer um tour de 1 dia, como eu fiz. No centrinho de Puerto Natales tem várias empresas que oferecem exatamente o mesmo passeio e todas tem praticamente o mesmo preço, 25.000 pesos pelo tour, além dos 18.000 para entrar no parque. Todas as empresas pegam os passageiros nos respetivos hotéis e os levam de volta no fim do dia.

Como é a visita

Os tours saem bem cedo de Puerto Natales e a viagem até a entrada do Parque demora cerca de 1h30. Antes de chegar fazemos uma parada na Caverna do Milodón (Cueva del Milodón) uma caverna de 35 metros de altura por 200 metros de profundidade, onde viveu há milhares de anos um mamífero chamado Milodón, uma espécie de urso que existiu na Patagônia pré-histórica.

A entrada custa 5.000 pesos e o passeio é opcional, você pode ficar esperando no ônibus ou em uma cafeteria ao lado.

Mirante

Mirante do Lago Toro

Alguns quilômetros depois a gente tem a primeira grande vista do Parque Torres del Paine, do mirante do Lago Toro, de águas incrivelmente azuis, a gente tem uma vista panorâmica sensacional das torres e por sorte, nesse dia estava completamente visível.

A parada é rápida, só para uma foto e todo mundo volta para o ônibus, para agora sim, entrar no parque. Pagamos os 18.000 pesos de entrada e seguimos para o primeiro ponto, visita ao Lago Grey.

Lago e geleira Grey

O passeio começa com a travessia de uma ponte de arames, onde só 6 pessoas podem atravessar por vez e o vento balança a ponte a um nível assustador. Seguimos por uma trilha e no fim dela, conseguimos avistar a imensa praia de pedras no entorno do Lago Grey.

A longa caminhada na praia de pedras

A longa caminhada na praia de pedras

A caminhada segue pela praia com quase 2 quilômetros de extensão, daqui a gente consegue ver a lateral das torres, a Punta Bariloche e a Punta Negra. A paisagem impressiona, a cor da água de degelo é de um tom mais claro e ao fundo um iceberg que se soltou da geleira.

Praia do Lago Grey

Praia do Lago Grey

No fim da praia, seguimos por mais uma trilha no morro até um mirante que de lá a gente consegue ver a Geleira Grey. A vista é impressionante, vale muito a pena seguir até esse ponto e é uma oportunidade única, a geleira está condenada, ela diminui 5 quilômetros nos últimos 10 anos e a expectativa é que ela se derreta completamente nos próximos anos devido ao aquecimento global.

Geleira Grey ao fundo

Geleira Grey ao fundo

E um imenso iceberg que se separou da geleira

E um imenso iceberg que se separou da geleira

Almoço e Lago Pehoé

Agora seguimos por outras estradas ao longo do parque, emolduradas por paisagens que pareciam ter saído de alguma pintura. Subindo e descendo morros ao lado do Rio Paine até a área de Camping do Lago Pehoé.

Lá tem um restaurante, onde eles cobram impressionantes 21.000 pesos por um grelhado. Mas também tem uma lojinha que vendem alguns lanches bem mais em conta, que você pode comprar e comer em uma das mesas do camping.

Lago Pehoé

Lago Pehoé

E a cor da água?

E a cor da água?

Depois vale uma caminhadinha até o ponto de observação Pehoé e de lá a gente tem sem dúvidas a melhor vista de todo o conjunto de torres do parque. O lago tem a coloração mais bonita que eu já vi e algo que vou me lembrar para sempre.

Zoom nos picos nevados

Zoom nos picos nevados

Salto Grande

A parada seguinte é em uma das cachoeiras do parque, a Salto Grande, que deságua direto no Lago Pehoé. O ônibus fica em um estacionamento um pouco mais próximo da base das torres e de lá, seguimos a pé por uma trilha até a cachoeira.

Cachoeira

Cachoeira

Mais uma vez, a água azul impressiona muito, o vento também é muito forte e existem até algumas placas avisando das fortíssimas correntes de vento nesse ponto. Daqui sai a trilha de los Cuernos, que vai até o ponto de mirante do pico Los Cuernos. A trilha não é muito longa, mas demora cerca de 1h para ser feita.

Ainda mais perto das torres

Ainda mais perto das torres

Mirante Nordenskjöld

Agora o tour segue mais para o lado direito das torres e faz uma parada no mirante do Lago Nordenskjöld, ele leva o nome do explorador sueco Otto Nordenskjöld que estudou as regiões antárticas no começo do século passado.

Mirante do Lago Nordenskjöld

Mirante do Lago Nordenskjöld

Este é mais um ponto onde temos uma grande vista do parque, mas a essa altura do passeio, muitas pessoas nem saem do ônibus, pois o cansaço começa a bater forte.

Laguna Amarga

A parada seguinte é nesse ponto que é uma das entradas do parque, daqui conseguimos ver a parte de trás do conjunto de picos do Torres del Paine e curiosamente, só daqui que conseguimos ver direito as 3 torres que dão nome ao parque.

Esse é o ponto por onde a maioria dos mochileiros chegam e o trânsito de gente indo e vindo é grande.

As 3 torres

As 3 torres

Imagem mais aproximada

Imagem mais aproximada

Vale dos Guanacos

A última parada dentro do parque é para ver e fotografar os Guanacos. Esses mamíferos primos das Llamas e das Alpacas que vivem aqui nesta região da Patagônia. Ao todo no parque, são mais de 5 mil desses animais.

Eles são dóceis, mas os guias pedem para a gente não se aproximar muito para não deixar os bichos estressados. É uma bela imagem de despedida do parque.

Vale dos Guanacos

Vale dos Guanacos

Vale dos Guanacos

Vale dos Guanacos

Depois daqui, fizemos uma parada em uma “lancheria” na beira da estrada na fronteira entre o Chile e a Argentina e seguimos por mais 1 hora de volta a Puerto Natales.

Para quem tem pouco tempo e procura um passeio mais cômodo, o tour é a melhor opção para conhecer o Parque Torres del Paine.


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mm

Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

9 Comentários

  • Responder janeiro 21, 2016

    HELIO FERTONANI JUNIOR

    Ah meu que lugar perfeito! Eu não tive a oportunidade de conhecer o parque! Mas sem duvida é a paisagem mais bonita dessa nossa América do Sul! Parabéns pelo texto e obrigado pelas dicas! Todas anotadas!

  • Responder janeiro 21, 2016

    Tiago

    sensacional… muito bom mesmo…

    e Ushuaia, você já visitou?

    abraços

    • mm
      Responder janeiro 21, 2016

      Fabricio Moura

      Sim sim, quase congelei lá. Tem um post no blog =)

  • Responder fevereiro 21, 2016

    Leticia

    Li sobre esse lugar pela primeira vez em outro blog de viagem o World of Wanderlust, e ela também disse que esse é um dos lugares mais belos que ela já visitou, as fotos não mentem, aumentou minha vontade de visitá-lo, quem sabe encaro como mochileira hahaha.

    • mm
      Responder fevereiro 21, 2016

      Fabricio Moura

      Super apoio, Leticia.

  • Responder abril 12, 2016

    HELIO FERTONANI JUNIOR

    Em Janeiro eu estava aqui apenas lendo seu relato sem qualquer perspectiva de visitar essa maravilha.

    Bem, hoje estou com passagens emitidas, daqui a 2 meses estarei conhecendo essa beleza de lugar! Seguirei suas dicas para conhecer Santiago, Punta Arenas, Puerto Natales e o Parque Nacional Torres Del Paine, e ainda terei tempo para passar uns 3 ou 4 dias em El Chalten na Argentina. Já esteve por lá Fabrício?

    Deixo também um alerta aos desavisados que gostariam de conhecer TDP no inverno, de El Calafate não sai excursão Full Day durante o inverno. É preciso viajar ate Puerto Natales e pernoitar.

  • Responder abril 2, 2017

    Eduardo

    Eu fiz o passeio full day a partir de el calafate. A ideia é boa pois o hotel lá no parque é caríssimo e camping eu não curto muito. Mas a empresa faz umas paradas muito rápidas, algumas davam 5 minutos. Foram 14 horas de ônibus e umas 6 paradas no parque fora as aduanas Argentina e chilena. Mas eles dão um lanche bacana já incluso na excursão. O parque é lindo. Eu indico el Chalten pra quem quiser algo mais tranquilo pra fazer. Tem os picos de mármore também e diversas trilhas que saem do centro da cidade. A patagonia é linda por inteiro. Já fui 3 vezes e sempre vou voltar. A parte mais linda, para mim, é a região dos Lagos entre Puerto varas, pucon, Bariloche e san Martin de Los Andes. Já da saudades rss. Parabéns pelo relato.

  • Responder abril 4, 2017

    Juliano

    Olá…. pelo seu relato percebe-se que um dia apenas pode-se ver todo o parque… levando isso em consideração, quantos dias preciso incluir no meu roteiro para conhecer Torres Del Paine ? Estou pensando em casar com Santiago, já que ainda não conheço a capital chilena.

    Muito obrigado.

    • mm
      Responder abril 4, 2017

      Fabricio Moura

      Oi Juliano, tudo bem? Dá pra ver praticamente todo o parque em um tour de 1 dia, pra quem tem pouco tempo é o ideal. Para quem vai fazer as trilhas, o ideal é de 3 a 5 dias dependendo do circuito.

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