Ushuaia: congelando no fim do mundo

ushuaia

Se você pegar o mapa do continente americano e olhar lá no finzinho, aquela pontinha no sul da Argentina é a Terra do Fogo e lá fica a cidade de Ushuaia. É o ponto mais ao sul do continente e a ideia de chegar até lá pareceu muito tentadora quando eu estava planejando uma viagem para a Argentina em agosto do ano passado. Conhecer um dos extremos da terra é ou não uma aventura e tanto?

Uma coisa que eu aprendi nesses anos viajando de um lado para o outro, é que tudo na teoria funciona muito bem, mas na prática nem tanto.  Chegar até lá não foi nada fácil e eu contei isso aqui no blog no post “Perrengues e viagem: 14 horas no aeroporto”. Era um sinal, um presságio do que poderia estar por vir? É tipo o job que começa errado e assim vai até o fim.

Antes que você pense que eu vou detonar Ushuaia e dizer que é um lugar horrível, quero dizer que não é bem isso. Viagens são muito pessoais, cada pessoa tem uma experiência diferente. E a Terra do Fogo é linda sim.

O fato é que as tais 14 horas que eu fiquei esperando pelo vôo no Aeroporto de Ezeiza e depois as 5 horas e vôo naquele velho Airbus fedendo a mofo da Aerolineas Argentinas foi preparando meu mau humor para a minha chegada.

Mas pensem em um lugar frio, realmente frio. Eu não tenho problemas com inverno, é a minha estação favorita. Sempre viajo para lugares frios, mas Ushuaia estava fora de qualquer parâmetro até então.

Os termômetros naquela manhã marcavam 5 graus negativos, o vento cortante dava a impressão de estar -10. No trajeto do aeroporto até o hotel, não via ninguém nas ruas, tudo absolutamente deserto.

O hotel era fantástico, todo aquecido, confortável, ótimo restaurante e um serviço de transfer. Mas eu não viajo para ficar dentro de hotel, já tinha perdido um dia da minha viagem por conta dos atrasos e só me restavam dois dias em Ushuaia.

Saí para almoçar e depois para o primeiro passeio no Glacial Martial. Mas antes, preciso comentar: como tudo é muito caro em Uhsuaia. Para nós que estamos acostumados aos bons preços de Buenos Aires, tomamos um choque com os preços quase britânicos da cidade.

Bom, voltando ao passeio, o Glaciar Martial fica uns 7 quilômetros da cidade e é muito legal, deve valer muito a pena no verão, pois no inverno a temperatura no dia chegou aos -10 e sensação térmica de -30 graus.

As pessoas parecem cebolas, são tantas as camadas de roupas, que nada fica a mostra. Pensar em ir ao banheiro, totalmente fora de cogitação. Depois de um passeio muito legal de trenó, sendo puxado por cães que pareciam ignorar a temperatura, algo bem inesperado aconteceu: meu iphone congelou. Sim, amigos. Tem alguém da Apple aí que conseguiria me responder? Tive que aceitar a morte do meu amiguinho e comprar outro quando voltei para São Paulo.

Fim do passeio e eu só pensava no quarto aquecido do hotel, nas comidas maravilhosamente caras dos restaurantes e em camadas de edredom me cobrindo.

Resumindo a minha experiência: 14 horas de atraso, 5 horas de vôo, sensação térmica de -30 graus, preços absurdos e um iphone estragado. Parece que Ushuaia não gostou de mim.

Se eu voltaria? Com certeza, só que no verão!

Congelando em Ushuaia

Congelando em Ushuaia

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Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

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