Como é viajar no trem de Vitória a Belo Horizonte?

Vitória a Belo Horizonte

Todo mundo sabe que viagens de trem no Brasil é coisa rara, uma pena, pois já tivemos uma malha ferroviária gigantesca, de norte a sul, mas que foi aos poucos sendo sucumbida ao transporte rodoviário e depois pela popularização do transporte aéreo. Nós temos hoje um total de 29.798km de vias férreas e mais de 10 mil desse total foram construídos ainda na época do Império. No geral, 90% é usado apenas para transporte de carga e ainda assim, é mal utilizada, pois a metodologia de construção é de séculos passados e um dos poucos trens de passageiros remanescentes é o que liga Vitória a Belo Horizonte da Estrada de Ferro Vitória Minas Gerais (EFVM), operado pela Companhia Vale do Rio Doce.

Vagão da classe econômica

Trem de Vitória a Belo Horizonte: Vagão da classe econômica

Eu viajei no trecho entre a capital mineira e a cidade Timóteo, uma viagem de cerca de 200km e aproximadamente 4 horas de duração.


Como é a viagem no trem que liga Vitória a Belo Horizonte


O trem EFVM é dividido em classes executiva e econômica. A composição é bem nova e confortável, foi reformada recentemente, com novos vagões vindos da Romênia e lembra um pouco os trens que circulam entre a Holanda e Bélgica. Eu viajei na executiva e a diferença de preço entre as duas classes é bem pequeno, vale muito a pena optar pela classe superior. Para quem vai fazer a viagem completa, aproximadamente 12 horas de viagem, a executiva custa R$ 95,00 e a econômica é vendida por R$ 62,00.

Classe executiva

Trem de Vitória a Belo Horizonte: Classe executiva

A configuração dos vagões é de 1 x 2, as poltronas são bem largas, ótimo espaço para as pernas, tomada 220v e ar condicionado. Sistema de entretenimento? A janela! Eu não fui até a classe econômica, mas olhando de fora, parece ser bem confortável também.

O trem parte da Estação Central de Belo Horizonte, um prédio lindão em estilo neo-clássico que é um dos cartões postais da cidade. O comboio sai pontualmente as 7h30 da manhã, por tanto, não dá para contar com atrasos. O embarque é um pouco tumultuado, foi a impressão que eu tive, mas nada burocrático. Como o trem é bem grande, os vagões que servem a classe executiva ficam bem na frente e isso rende uma boa caminhada até ele. Em dias chuvosos deve ser chatinho.

O serviço de bordo é pago e assim que o trem parte da estação, um funcionário passa vendendo algumas coisas num carrinho. Café, pão de queijo, suco e outras besteiras. Os preços são bem singelos, um café R$1,00 e o tradicional pão de queijo por R$ 2,00. Para quem vive em São Paulo, é quase de graça.

Também tem o vagão restaurante e os passageiros podem encomendar o almoço para comer durante a viagem.

Entretenimento? Só o janelão

Trem de Vitória a Belo Horizonte: Entretenimento? Só o janelão

Eu achei o trem bem lento, não deve passar dos 80km/h na metade do percurso, como a linha férrea é compartilhada com os trens cargueiros da Vale, a todo momento reduzimos a velocidade ou paramos antes de cruzar com outras composições, mesmo o trem de passageiros tendo prioridade para trafegar.

A parada nas estações é bem rápida, em alguns casos ficamos parados por apenas 1 minuto. Todas as paradas são avisadas pelo sistema de som e pelo pessoal de bordo. É bem legal ver o trem chegando em cidades bem pequenas e ver as pessoas na estação esperando o trem passar.

A viagem é bem agradável, mas confesso que a baixa velocidade incomoda um pouco, mas é uma viagem para não ter pressa. É legal ver os pequenos vilarejos e casinhas perdidas no meio do nada, mas impressiona também as áreas de exploração de minério bem degradadas pela Vale.

A ligação ferroviária entre o Espirito Santo e Minas Gerais foi inaugurado em 1908, após a Vale assumir a malha, eles começaram um processo de renovação de alguns trechos, mesmo a empresa tendo construído novos trechos, pontes e túneis, conseguimos ver muito do trecho original de mais de 100 anos. É uma pequena viagem no tempo, em um país que perdeu a herança ferroviária faz tempo.


 

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Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

4 Comentários

  • Responder dezembro 7, 2015

    Cabeça de Frade

    Taí uma viagem que pretendo fazer! valeu!

  • Responder fevereiro 21, 2016

    Eulalia

    Muito bom o post!
    Vou fazer essa viagem em breve.

  • Responder julho 22, 2016

    Jéssica Nascimento

    Adorei o post! Parabéns!

  • Responder agosto 11, 2017

    maria

    Quero ver foto do vagão classe econômica
    ..

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