Pelas montanhas da Bósnia e Herzegovina

Bósnia

A Bósnia é um dos países de natureza mais exuberantes que eu já conheci. Um país montanhoso com quilômetros de vales, escarpas verdes e picos com neve permanente. Aquele tipo de cenário que a gente está acostumado a ver na ficção. Mas por trás dessas montanhas lindas, existe uma história muito triste.

A Guerra da Bósnia assolou o país de abril de 1992 até dezembro de 1995, o governo do país diz que em torno de 200 mil pessoas perderam a vida e o mais triste é que ainda existem mais de 10 mil desaparecidos, 20 anos após o fim da guerra, de acordo com a Anistia Internacional.

Da janela do carro

Da janela do carro

Eu visitei a região do Parque Nacional Sutjeska, distante 98 quilômetros de Sarajevo. O lugar já foi cenário de batalhas durante a Segunda Guerra Mundial, marcando a derrota da Alemanha nos Balcãs e cinquenta anos depois, o lugar voltou a ser marcado pela Guerra da Bósnia. O parque fica em um lugar estratégico, a divisa com Montenegro e não distante do Mar Adriático.

Durante o caminho até o parque, montanhas e mais montanhas. Um mais estonteante que a outra, mas por trás dessa beleza toda, ainda existe um triste legado. Aqui morreram muitos civis durante a guerra e nos meses mais quentes, grupos vasculham os vales procurando valas comuns, onde poderiam estar parte daqueles mais de 10 mil desaparecidos. Tal prática é clandestina, pois ainda existem minas ativas e bombas não detonadas aqui. É bem comum as famílias virem fazer sua própria busca. É uma história que o Governo Bósnio quer esconder. Por mais que a Bósnia queira se abrir novamente ao turismo, falta estrutura e até mesmo transparência.

O pico mais alto da Bósnia

O pico mais alto da Bósnia

Cheguei ao parque por volta do meio dia, era outono mas fazia muito frio. A temperatura estava abaixo de zero, mas beleza do lugar anula tudo isso.

No parque, existe um grande monumento que lembra a derrota da Alemanha, mas também reserva cachoeiras, como a Skakavac, a mais famosa. Trilhas pelos vales, pela floresta intocada de pinheiros negros e o pico mais alto da Bósnia, o Maglic, com 2.386 metros de altura. Entre uma curva e outra, encontramos rios e lagos com água extremamente transparente. Senhor dos Anéis poderia ter sido gravado aqui.

Lagos e mais lagos

Lagos e mais lagos

O parque foi feito para atrair turistas e tudo funciona muito bem, apesar de não ser um lugar muito fácil de chegar. Dentro do parque existe um hotel e cabanas para quem desejar se hospedar. Acho que vale a pena, apesar da pouca distância desde Sarajevo, as estradas são péssimas, o que deixa a viagem demorada e cansativa. O parque também é enorme e o ideal são 3 dias para conhecê-lo bem.

As melhores trilhas são a de Perucica e Jezera Donge, é proibido fazer por conta própria, por questões de segurança mesmo. Na entrada do parque você pode contratar o passeio, o grupo mínimo é de 5 pessoas

Parece, mas nem tudo é neve, a rocha que é branca.

Parece, mas não é neve. A rocha que é branca.


Como chegar ao Parque Nacional Sutjeska?
De Sarajevo é possível pegar um ônibus que sai do Terminal Rodoviário deles até a cidade de Foca, perto da entrada do parque. De lá até o parque, só de carro. São 45 quilômetros de estradas bem ruins, reze para não chover e também reze para pegar um bom motorista, a grande maioria são russos e são famosos por dirigirem mal. A viagem ida e volta desde Sarajevo vai custar em torno de R$100,00. Não é caro.


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Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

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