Frankfurt: drogas e insegurança nas ruas

Frankfurt

Frankfurt sempre foi uma cidade marcada por transformações. Do período medieval até a destruição quase completa durante a Segunda Guerra Mundial e a reinvenção da cidade anos depois se firmando como a capital econômica da Alemanha e sede dos principais veículos de mídia e instituições financeiras do continente.

Mas esse poder de transformação da cidade talvez a esteja arrastando para um caminho estranho e sem volta. Não é a minha primeira vez aqui, então, essa mudança que eu percebi talvez tenha me assustado tanto.

Eu cheguei em Frankfurt vindo de trem de Berlim, cheguei o fim da tarde e saindo da Hauptbanhof, a estação central, já pude perceber que tinha algo estranho e nem me refiro a quantidade absurda de guindastes que fazem a cidade crescer verticalmente todo ano.

O que mais me chamou atenção foi a sensação de insegurança nas ruas. Saindo da estação já percebi um movimento de pessoas encarando, com um olhar intimidador e de afronta. Mas passou, foi um momento, fui em direção ao hotel, em uma rua próxima a estação, que por sua vez, próxima chamada Mainhattan (Manhattan do Main) uma brincadeira com o fato de Frankfurt ser semelhante a Manhattan pela grande quantidade de arranha-céus por quilômetro quadrado. Ou seja, um lugar absolutamente tranquilo para se hospedar, que eu já conhecia e convenhamos, estamos na Europa onde a maioria dos lugares são seguros.

Pela noite resolvi sair para jantar, foi aí que as coisas começaram a ficar mais estranhas. A rua do meu hotel costumava ter vários restaurantes e uma vida noturna bem agitada, mas às 20h estava tudo absolutamente fechado.

Alguns metros a frente comecei a perceber uma grande quantidade de homens zanzando pelas ruas sem aparentar um destino certo. Eram traficantes, abordando e assediando quem passava, oferecendo maconha, cocaína, heroína, haxixe e muita, mas muita metanfetamina. Fingi que não ouvia, ignorei e um deles me perseguiu, até que eu entrei em uma estação de metro, pensei estava em uma fria, nem acreditava que estava passando por aquilo em Frankfurt, mas ele foi embora.

Passei pelo túnel e saí na Kaiser Street (Kaiserstraße), uma rua cheia de lojas famosas, restaurantes gostosos. Mas estava meio deserto e lá estavam mais indivíduos oferecendo um arsenal de drogas pesadas. Sinal de alerta ligado, achei que era hora de voltar pro hotel e comer algo por lá mesmo.

Pensei em pegar um taxi, mas eu estava tão perto do hotel e o taxista teria que dar uma volta desnecessária para me deixar no meu destino. Resolvi fazer um caminho diferente para evitar aqueles caras, foi quando vi dois homens injetando o que parecia ser heroína em uma das ruas mais famosas de Frankfurt às 20h30 da noite de uma segunda-feira.

Quando um deles me olhou e manipulou uma faca eu tive a certeza de que Frankfurt não era aquela que eu tinha conhecido. Na recepção do hotel, o Concierge me disse: “evite as ruas após o anoitecer, só ande de taxi”. Policia nas ruas? Até agora pouco vi.

Hoje eu me encontrei com alguns amigos que ainda moram aqui e conversando a respeito, minhas suspeitas se confirmaram. Com a grande migração de pessoas de outras partes do mundo, vieram pessoas boas, mas também vieram pessoas mal intencionadas.

Frankfurt sempre fui uma cidade hub, onde as pessoas vem de passagem ou vem para trabalhar e nos últimos anos, muitas pessoas do norte da áfrica e leste europeu desembarcaram aqui em busca de trabalho, mas por mais que a Alemanha seja a potência que é, não existe trabalho para toda essa gente. O fato é que, de todas as pessoas que eu vi, agindo dessa forma, nenhum era alemão. Uns falavam russo, outros eu nem consigo destinguir o idioma. Não me acuse de xenofobia, estou apenas contando o que vi.

Talvez, para “culpar” essa insegurança que eu senti ao povo que veio para Frankfurt nos últimos anos, pode ser injusto sem um estudo sério que aponte isso. Nesse post, eu quis externar o que eu senti e com base no que pessoas que vivem aqui me disseram.

Pretende vir a Frankfurt? Pode vir, mas seja cuidadoso.


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Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

6 Comentários

  • Responder outubro 28, 2015

    Fernanda Scafi

    Nossa, que chato isso! Antes de ir pra Berlim, eu fiquei quase 1 mês estudando em Frankfurt mas sempre evitei essa região da Hauptbahnhof à noite pq já tinha ouvido falar que era + pesada e nos outros lugares por onde andava à noite era tudo sempre mais tranquilo do que isso. Aliás, beeeem mais tranquilo rs, nunca vi NADA… Eu saía ou em Sachsenhausen ou na região da Zeil e na volta, ia direto de metrô até a porta do hotel que era grudado na estação Galluswarte (só 1 estação depois da Hauptbahnhof). Nos dias que fazia bate-volta, chegava na Hauptbahnhof acabada e tarde, aproveitava pra comer nos fast food que tem lá dentro e aí já pegava o metrô pro hotel então não cheguei a sair da estação tarde da noite… Ah, isso em outubro/2014.

    • mm
      Responder outubro 28, 2015

      Fabricio Moura

      Oi Fernanda, em 2012 isso não existia aqui. Era completamente diferente, até as ruas eram mais limpas, por isso meu imenso choque.

  • Cara… não sei qual data da sua postagem mas acredito que 2015, como nos comentários.
    Olha, fui a frankfurt para estudar em janeiro de 2012 (3 meses), outubro de 2013(3 meses) e a ferias em fevereiro de 2016(10 dias).
    Isso é pra você ver como eu amo essa cidade…
    Mas assim, como moro no brasil (guarulhos) e ando muito de transporte público e a pé, e como sou bailarino, trabalho basicamente até 10 da noite dando aulas então ando mt tarde por São Paulo em Guarulhos, então, em frankfurt, me senti num paraíso, até mesmo nas redondezas da Hauptbahnhof.
    Confesso e concordo que, do monumento do Euro até a estação é realmente uma área suja e estranha, toda a kaiserstrasse (e as ruas laterais à ela como muchener strasse) são realmente sem policiamento devido, e sinistras durante a noite.
    Mas cara, confesso também que são os ÚNICOS lugares na cidade que sinto isso, e já andei por ali diversas vezes após as 23:00 e até mesmo dps das 00:00…
    Até passei o ano novo em frankfurt e saí do hotel na frente da estação, e fui para o centro a pé, as 23:30. Mas claro, até duas mulheres brincando com a arma de um cara e atirando para o alto em meio aos fogos eu vi (kaiserstrasse) rsrs mas… mas no brasil corro riscos mil vezes maiores.

    Até mesmo em 2016 andei da Hauptbahnhof até a mainzerlandstrasse depois das 22:00…
    Então, assim, claro que não é legal ver que não melhorou a situação dessa área, mas também durante esses 4 anos que frequentei essa cidade, a segurança e a tranquilidade nas ruas, nos mercados, nos bancos, pra mim NUNCA mudou graças a deus!

    • mm
      Responder junho 14, 2017

      Fabricio Moura

      Oi Denis, tudo bem? Que bacana o seu relato! Eu morei em Frankfurt há uns 10 anos, naquela época era tudo muito tranquilo, por isso o meu choque quando cheguei na HBF e eu moro em SP. Que bom que você nunca teve problemas.

  • Responder junho 13, 2017

    wesley

    Fui a Frankfurt Há duas semanas atrás e fiquei com grandes reservas quando fui me aproximando da hbf. Nem parece a minha linda e segura alemanha. Tenho certeza que ali a noite deve ser cabuloso

    • mm
      Responder junho 14, 2017

      Fabricio Moura

      Sim, Wesley, a região da HBF estava vem estranha mesmo. Eu desembarquei lá e fui andando até o meu hotel, confesso que fique com medo e olha que eu moro em São Paulo.

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