Uma viagem nos tradicionais dos bondes de Lisboa

bondes de Lisboa

Existem muitas coisas que a gente só consegue fazer em Lisboa, como apreciar um tradicional fado, comer os igualmente tradicionais pastéis de Belém e subir as ladeiras da cidade a bordo dos lendários bondinhos amarelos, os Elétricos de Lisboa, que percorrem os cantinhos mais bonitos da cidade levando turistas e moradores de um lado ao outro.

Os primeiros bondes começaram a circular pela cidade em 1872, na época, eram lentos e puxados por cavalos, só em 1900 que começaram a ser introduzidos os primeiros bondes elétricos e assim seguem até hoje.

O impressionante é que no final dos anos 50 a rede de bondes de Lisboa tinha um total de 76 quilômetros e mais de 500 carros, realmente algo impressionante considerando que a população naquela época era bem menor que hoje e consequentemente a cidade também era menor.

Hoje, esses 76 quilômetros foram suprimidos para apenas 26 quilômetros e cinco linhas, mas nem por isso os bondinhos portugueses perderam o brilho, eles percorrem os lugares mais procurados e típicos da cidade. Ligando a baixa ao bairro alto e indo até o distante bairro de Belém e Algés, já fora da cidade de Lisboa.

Cara a cara com a lenda

Cara a cara com a lenda

Pegar o Elétrico 28, talvez o mais procurado e amado de todos e subir as ladeiras da Mouraria e Alfama, é como uma pequena viagem no tempo, de volta aos anos 50. O sonho só termina com a quantidade enorme de câmeras e smartphones de última geração apontam para o bonde por onde ele passa.

Os bondes que circulam hoje pela cidade foram fabricados entre 1936 e 1947, os mais antigos estão rodando há 80 anos. A empresa responsável pelos bondes de Lisboa reformou todos eles nos anos 90 e mantém um constante trabalho de conservação tanto dos bondes, quanto das linhas.

Nos anos 90 começaram a circular novos veículos elétricos e articulados na linha que sai da Praça da Figueira e vai até Algés, mas que ainda divide o espaço com os antigos bondes.

Interior dos bondes de Lisboa mais tradicionais

Interior dos bondes de Lisboa mais tradicionais


As linhas dos bondes de Lisboa


São 5 linhas operando hoje na cidade, além de duas linhas turísticas que foram criadas para tentar desafogar os elétricos de carreira, pois apesar de serem uma atração turística, eles são um meio de transporte da população da cidade.

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O número 12

Linha 12 – Praça da Figueira Circular

A Linha 12 (Carreira no português de Portugal), circula na região mais central da cidade, saindo da Baixa, na Praça da Figueira seguindo pela Martins Moniz e subindo as ladeiras da Mouraria, Alfama e do Castelo de São Jorge. Passa pelas Portas do Sol, Sé e volta para a baixa. Eu peguei esse bonde e a viagem completa dura uns 40 minutos.

Linha 15 – Praça da Figueira a Algés

Essa é a linha que vai até Algés, além dos limites de Lisboa mas é muito usada por quem vai para Belém. A maioria dos bondes que circulam por ela são os novos biarticulados, mas dependendo da demanda, os tradicionais bondes entram em operação.

Ela sai da Praça da Figueira, passa pela Praça do Comércio, Cais de Sodré, onde tem uma estação de metrô e vai em direção ao Bairro de Belém e depois para Algés. A viagem do Cais de Sodré até Belém dura uns 30 minutos.

Linha 18 – Belém ao Cemitério da Ajuda

Essa linha sai de Belém, em frente ao Mosteiro dos Jerônimos, passa por Alcântara e vai até o Cemitério da Ajuda. Ela já foi uma boa opção para ir do Cais de Sodré até Belém, mas como aquela região está em obras de melhoria da rede, desde o começo de 2016 a linha foi modificada.

Linha 25 – Campo Ourique (Prazeres) a Corpo Santo

Essa linha percorre o bairro alto de Lisboa, passando pela Basílica da Estrela, um lugar muito procurado por turistas, mas é uma linha mais usada pelos moradores.

Linha 28 – Martim Moniz a Campo de Ourique

Certamente a mais tradicional de todas as linhas, ela sai da Baixa em Martim Moniz, sobe as ladeiras da Mouraria, passa pela Graça, Alfama, desce para a Baixa novamente e vai em direção ao Bairro Alto passando pela Basílica da Estrela e terminando no Campo de Ourique.

A linha 28 é a mais procurada pelos turistas e a mais cheia de todas. Conseguir um lugar para sentar é difícil, a dica é embarcar depois que ele descer as ladeiras de Alfama, pois muitas pessoas ficam naquela região e o bacana é fazer o passeio todo, ida e volta.


Linhas turísticas


Em 2010 a companhia responsável pelos bondes de Lisboa criou duas linhas exclusivas para atender aos turistas e desafogar os bondes normais que são usados também pelos moradores da cidade.

Hills Tramcar Tour – Turism tram 28

É uma linha que percorre parte do mesmo caminho feito pelo Elétrico 28, porém ele só vai até a Basílica da Estrela. A viagem completa dura aproximadamente 1h30, mas depende muito do horário e do trânsito em Lisboa, especialmente no fim da tarde. Não se esqueçam que os bondes dividem o mesmo espaço com os carros e motos.

A linha funciona no sistema de hop-on / hop-off, onde o passageiro pode descer a cada parada para visitar as redondezas e embarcar em outro bonde depois. Os elétricos passam a cada 30 minutos e os bondes dessa linha são vermelhos.

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Hills Tramcar Tour

O horário de funcionamento é das 9h30 às 17h30 (outono e inverno) e das 9h30 às 18h20 (primavera e verão).

O preço é salgado, não é atoa que eles estão sempre vazios, o bilhete é válido por um dia e custa 19 Euros para adultos e 9,50 Euros para crianças.

O turístico por dentro

O turístico por dentro

 

Hills Tramcar Tour

Hills Tramcar Tour

Castle Tram Tour – Lisbon Historic Route

Uma linha bem curta que vai da Baixa e circula pela região do Castelo de São Jorge e Alfama. O trajeto dura 40 minutos e a cada 20 minutos passa um bonde. Também funciona no sistema de hop-on / hop-off e os veículos dessa linha são verdes.

Porém… desde janeiro desse ano, esse serviço está suspenso por obras de melhorias nos trilhos, sem previsão de retorno, mas acreditam que até o verão de 2017 os bondinhos verdes voltem a circular.

Castle Tram Tour

Castle Tram Tour


Como usar os bondes de Lisboa


Para usar os bondes tradicionais, a viagem custa 2,85 Euros no bilhete avulso, ou 1,40 se o pagamento for feito com o Cartão Lisboa Viva que pode ser comprado nas estações de metrô ou postos de atendimento por 0,50 centavos de Euro, ele é recarregável com validade por 1 ano. Pode ser usado no metrô, ônibus e nos bondes. Nos elétricos mais antigos o próprio condutor faz a cobrança, no mais novo que vai até Belém o pagamento só pode ser feito com Cartão Lisboa Viva.

Existe também o Lisboa Card, que é um cartão para turistas com validade ilimitada de 72 horas (39 Euros); 48 horas (31,50 Euros) ou 24 horas (18,50 Euros). Ele é válido para metrô, trem, ônibus e nos bondes. Só vale a pena para quem for usar muito o transporte público.

Os bondes turísticos, como eu disse acima, custam 19 Euros para adultos e 9,50 Euros para crianças e o bilhete pode ser comprado nos quiosques de vendas ou direto no bonde. A vantagem desses carros é que eles estão sempre vazios e o passeio é mais agradável.

Dica: Se você só quer dar uma voltinha, pode pegar o Elétrico 12, que é menos cheio por 2,85 Euros e fazer um ótimo passeio pela Mouraria, Alfama e nas redondezas do Castelo de São Jorge.

Imprevistos acontecem

Para viajar nos bondes de Lisboa, a gente precisa ter em mente que por mais que seja um serviço com boa manutenção, imprevistos acontecem. Na minha última viagem em novembro de 2016, em dois dias eu vi dois acidentes.

No primeiro, a frente do Elétrico 28 ficou completamente destruída, soube que ele saiu dos trilhos na chuva e bateu contra uma casa. No segundo dia eu estava passeando no Hills Tramcar e um bonde perto da Porta do Sol descarrilou e ficamos por quase 2 horas parados esperando colocarem o bonde de volta nos trilhos.

Ooops

Os bondes de Lisboa tem boa manutenção, mas as vezes…

O transporte é seguro, não precisa ficar com medo de acidentes, mas só faça a viagem se você não estiver com pressa, pois os bondinhos são lindos, mas as vezes lentos e também ficam reféns do trânsito ruim em alguns horários.


Em novembro de 2016 eu viajei a Lisboa com apoio do Visit Lisboa e Hotel Dom Carlos Park. O Vou na Janela só faz parcerias com empresas em que recomenda seus serviços.


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Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

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