Urupema: como é viver na cidade mais fria do Brasil

Urupema

Nos últimos dias é bem possível que você tenha ouvido falar da cidade de Urupema, na serra catarinense. A cidadezinha é hoje considerada a mais fria do Brasil e é justamente por conta disso que tem se falado nela. Basta ligar a TV em algum telejornal para ver imagens ou links ao vivo de Urupema.

Pois bem, eu estou aqui em Urupema por uma semana. Mas ao contrário do que vocês possam estar imaginando, eu não vim pra cá por causa do frio, da geada ou dos lagos e cascatas congeladas.

Até no Jornal Nacional

Até no Jornal Nacional

Quem acompanha o blog, sabe que eu estou passando os últimos meses viajando, passei pela Ásia, norte, nordeste do Brasil e meu plano é só voltar para casa ao completar 3 meses fora de casa, tá quase lá, mas ainda falta um pouco.

A rotina hotel-aeroporto-hotel-rodoviária foi puxada. Teve uma hora que o cansaço bateu forte e eu só queria um lugar tranquilo e isolado para escrever sobre todos esses lugares em que eu passei nos últimos meses e descansar bastante. Buscando no Airbnb eu vi um chalé em Urupema, achei bonitinho e do jeito que eu precisava, negociei com o dono e marquei a data.

Eu cheguei aqui no último domingo, no auge de uma das maiores ondas de frio que o Brasil já passou e não é exagero dizer que eu quase congelei na madrugada em que a temperatura ficou em -8 graus.

Já viram isso no Brasil?

Já viram isso no Brasil?

Geada

Geada

Eu sempre gostei do frio e sofri bastante com os 45 graus da Ásia, mas confesso que para quem vive no sudeste, essa temperatura de Urupema é sofrível. Mas aí você pode perguntar, como as pessoas vivem numa temperatura dessa? Vamos combinar, por mais que a região sul seja mais fria que as demais regiões do Brasil, -8 graus não é comum aqui.

Uma primeira resposta eu já tive na estrada, na entrada da cidade. Olhando de longe, a gente vê dezenas de casinhas com suas chaminés cuspindo muita fumaça. Todas as casas de Urupema tem lareira ou fogões a lenha e essa é a principal fonte de calor.

A maioria das casas são de madeira, mas não possuem nenhum tipo de isolamento térmico. São construídas elevadas do chão, para evitar a umidade do solo. Quem pode, tem aquecedor portátil, mas a grande maioria não tem nada disso. O que segura a bronca é o fogão a lenha e as comidas bem calóricas.

O meu chalé é de madeira e não tem nenhum isolamento térmico, a lareira fica no centro dele e se não fosse por ela eu tinha virado um picolé. Dá um pouco de trabalho cuidar dela, a todo momento eu tenho que olhar pra ver se o fogo não está apagando ou se tem madeira suficiente para noite.

Kit sobreviência

Kit sobreviência

A lareira é certamente a “estrela do chalé”, mas chega um momento da noite que ela não dá conta, ainda bem que a cama tem um lençol elétrico, que esquenta bastante e com ele é impossível passar frio.

O pior momento do dia é pela manhã e eu preciso acordar às 7h30 todos os dias para receber o café da manhã e a lenha para a lareira e nessa hora amigos, eu penso que vou morrer congelado.

Olho pela janela e lá fora está tudo branco de gelo, tento escovar os dentes mas não dá, simplesmente porque a água do encanamento congela e para a minha maior surpresa, até a água do vaso está congelada.

Geada

Geada

Até a água do vaso congelou

Até a água do vaso congelou

A coisa só melhora um pouco depois de acender novamente a lareira e quando o sol aparece, isso se ele aparecer.

Por mais frio que seja, a paz desse lugar, a gentileza das pessoas não tem preço. Urupema não tem muito o que fazer, tem apenas 3 mil habitantes e dois pontos turísticos: o Morro das Torres e a Cacheira que congela.

Paz que não tem preço

Paz que não tem preço

Não é o tipo de lugar onde as pessoas vem para se hospedar e eles nem estão preparados pra isso. Geralmente o povo vem, curte umas horinhas de frio e vão embora. Esse movimento acontece principalmente nos finais de semana, por isso, Urupema é de uma paz que não tem preço ou frio que pague.


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Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

4 Comentários

  • Responder junho 14, 2016

    Lulu Freitas

    Aproveite muito o seu momento de paz espiritual e continue escrevendo textos ótimos como esse. Ah! Boa sorte com o frio 😊

    • mm
      Responder junho 14, 2016

      Fabricio Moura

      hahahah Obrigado Lulu! =)

  • Responder outubro 18, 2016

    Leticia Souza

    Oi Fabricio,

    tenho uma dúvida. Como a cidade tem pouquíssimos habitantes, do que eles vivem? Como se mantem financeiramente?

    Att,

    • mm
      Responder outubro 18, 2016

      Fabricio Moura

      Oi Letícia, tudo bem? Eu não tenho certeza, mas acho que é da agricultura mesmo. Como todas as pequenas cidades, mas o turismo tem crescido, especialmente no inverno.

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