Visitar Cuba é caminhar em seus dois mundos paralelos

Visitar Cuba

Impossível visitar Cuba sem falar de história, ela que é tão viva e presente no país, especialmente na capital, Havana. Cuba foi descoberta em 1492 por Cristóvão Colombo, pertenceu a Espanha até 1898, foi vendida aos Estados Unidos em seguida, mas pouco tempo depois conquistou sua independência.

Mesmo sendo um país soberano, Cuba continuava vivendo sobre influência norte-americana até que a Revolução Cubana liderada por Eernesto “Chê” Guevara e Fidel Castro pôs fim a ditadura de Fulgêncio Batista em 1959 e o país parou no tempo desde então.

Certamente você já viu imagens de Havana, com seus prédios dos anos 40 e 50, muitos praticamente em ruínas e a imensa frota de carros antigos. Realmente andar por Havana pode parecer que a gente volta no tempo, especialmente por não poder desfrutar de coisas tão comuns no nosso dia a dia, como a internet, tomar uma cerveja que não seja Cristal ou Bucanero, ou uma simples Coca-Cola e não a onipresente TuKola.

Cuba dos cubanos

Cuba dos cubanos

Mas andar por Havana também pode lembrar uma zona de guerra, com construções praticamente em ruínas, caos social, pobreza e abandono.  Só a insistente e alegre música cubana consegue quebrar a tristeza e dar uma sacudida na gente, especialmente se estiver regada a mojios e daiquirís, na Bodeguita del Medio ou no La Floridita, lugares onde Ernest Hemingway tomava seus gorós entre um charuto e outro.

Por trás de toda alegria e magia que a luz de um fim de tarde em Havana Vieja proporciona, existe um mundo além desse que a gente paga em CUCs, a moeda os estrangeiros. O mundo dos Cubanos que ganham uma miséria e são bombardeados diariamente com propagandas do governo na televisão, no rádio e nos muros da cidade alimentando a ideia de que a revolução deu certo e ainda existe, que ainda é relevante e precisa seguir adiante e talvez nem eles saibam pra onde.

A população só tem acesso a televisão estatal cubana, TVs estrangeiras só nos hotéis, não precisa ficar muito tempo assistindo para ver como funciona a lavagem cerebral, ou a manutenção dela.

Fulgêncio Batista e os presidentes americanos

Fulgêncio Batista e os presidentes americanos

São telejornais, documentários e programas de entrevistas reforçando a ideia de que a revolução deu certo e continua. No telejornal da noite eu vi a apresentadora chamando os Estados Unidos de “invasores” que tomaram Guantanamo e ameaçam a soberania cubana. Mesmo depois de tantos anos a gente sente que o ódio continua, menos quando os dólares entram no caixa.

Dentro do Meliã Cohiba, um dos hotéis mais bacanudos da cidade, uma parede com cartazes de uma campanha onde esposas culpam os Estados Unidos por não poderem ver seus maridos que lá residem.

Campanha das esposas, apoiada pelo Governo Cubano

Campanha das esposas, apoiada pelo Governo Cubano

Nos muros da cidade a imagem viva de Chê reforça o culto e continuidade das ideologias, mesmo que as panelas estejam vazias e os tetos das casas caindo sobre suas cabeças.

No panorama geral, não dá pra saber se eles ainda acham que a revolução e a sua manutenção foi e continua sendo um bom negócio. A ditadura pode parecer opressora para nós, mas existe um sentimento de orgulho por aqueles que fincaram a bandeira do socialismo no coração do continente americano.

Amando ou odiando, não dá para ser indiferente. Visitar Cuba é caminhar por dois mundos, o deles e o nosso, de quem visita. A divertida Cuba do turista e a fechada Cuba dos cubanos. Dois universos paralelos que caminham lado a lado e que vez ou outra acabam se colidindo, especialmente quando o assunto é dinheiro, pois não tem como fazer revolução com bolsos vazios.


Leia mais:
Como conseguir o visto para Cuba
Como é passar pela imigração em Cuba


Sigam o Vou na Janela no Facebook e no Instagram


 

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Pin on PinterestPrint this page
mm

Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

Seja o primeiro a comentar