Como é a visita ao Museu Frida Kahlo na Cidade do México

Museu Frida Kahlo

Depois de Teotihuacan, o lugar que eu mais queria visitar na Cidade do México era o Museu Frida Kahlo. Algumas pessoas disseram não valer a pena, que tem poucas peças em exibição, que era cheio, longas filas e coisas do tipo.

Bom, eu acredito que cada pessoa tem a sua própria experiência e apesar das recomendações, era importante para mim visitar a casa. Se você busca os trabalhos mais famosos dela, o Museu Frida Kahlo não é o lugar mais interessante para você.

Mas se você busca fazer uma imersão no universo de Frida e ir muito além das pinturas e souvenirs com o rosto dela, o Museu Frida Kahlo é o lugar certo para você. E essa era a experiência que eu buscava.

Pátio logo após a entrada

A última obra, pintada 8 dias antes dela morrer e um recado “Viva la vida”

Foto de 1935

A Casa Azul, como é conhecida, fica no número 247 da Calle London no lindo bairro/distrito de Coyoacán. É a mesma casa onde ela cresceu e onde ela passou os últimos anos de vida. Foi no estúdio do segundo piso que Frida pintou algumas de suas obras mais importantes e está tudo lá. A cadeira de rodas, as muletas, as tintas, pincéis, cavaletes… os livros, os objetos inspiradores, e o enorme mundinho dela.

Estúdio de Frida

Estúdio de Frida

Estúdio de Frida

Ao lado do estúdio ficam dois quartos, o quarto do dia e o quarto da noite. Com as camas de madeira onde Frida passava longos dias, deitava, se olhando pelo espelho fixo na parte superior e fazendo seus famosos autorretratos.

É assombroso e extremamente íntimo. Pisar na casa, andar pelo quarto em que ela vivia, ficar a poucos centímetros de tudo o que era dela. Observar os detalhes dos bordados da roupa de cama, sentir a piso de pedra rústica e imaginar como deveria ser difícil andar por ele.

Quarto do dia

Quarto da noite

Os bordados que ela amava

Uma das frases mais famosas

A cozinha com todos os utensílios originais, a sala de jantar – chamada de comedor –  com sua mesa amarela que recebeu gente como León Trotsky, que ficou abrigado ali quando se refugiou no México, e que dormiu no quarto ao lado. E o quarto que recebeu Trotsky está lá, impecável e perpetuado.

A casa é enorme e um lugar bem agradável, mas o tom da visita é fúnebre. As pessoas carregam seriedade no rosto, a gente não vê ninguém rindo ou fazendo selfies. Existe um grande respeito e reverência.

O comedor

Pratos e copos

Quarto que recebeu León Trotsky e objeto de Diego Rivera

Cozinha

A energia é forte, mas fica pesada quando do outro lado do jardim da casa – no imóvel vizinho que foi anexado a Casa Azul – a gente encontra a exposição “Las apariencias engañan: los vestidos de Frida Kahlo”.

Quando Frida morreu em 1954, seu marido, o também pintor e muralista Diego Rivera, escondeu todos os seus vestidos, aparelhos ortopédicos, jóias, sapatos e até medicamentos, totalizando mais de 300 peças. E era o desejo dele que tudo ficasse trancado por 50 anos.

Aparelhos usados por ela

É chocante

Diego morreu em 1956 e coube a amiga do casal, Dolores Olmedo, garantir que todas as coisas só seriam reveladas cinco décadas depois. Em 2004 as peças foram encontradas trancadas no banheiro de azulejos brancos do quarto de Frida.

Eu fico tentando imaginar a cara das pessoas ao encontrarem esse verdadeiro tesouro. Muitas peças estão expostas em cinco salas. Na primeira sala a gente já fica chocado, o coração vem na boca quando ficamos cara a cara com as próteses, corpetes e aparelhos ortopédicos que a acompanharam boa parte da vida.

Os famosos vestidos

Na segunda sala os lindos vestidos de tehuana, a roupa típica de Tehuantepec, no sul do México, terra natal da mãe de Frida e que ela assumiu como sua vestimenta principal.

Seguido de peças como botas, sapatos, jóias e outros itens pessoais. Confesso que dei uma choradinha, imaginar tanta dor e sofrimento que uma pessoa tão genial carregou por toda vida.

Caderno de anotações

Bota ortopédica personalizada e uma blusa típica

Frida sofreu um grave acidente de ônibus quando ainda era adolescente, teve a coluna fraturada, uma barra de ferro perfurou as suas costas saindo pela vagina. Ficou muitos meses entre a vida e a morte e passou por várias cirurgias reparadoras. Desde os 18 anos convivia com a dor e com a traição de Diego Rivera, tudo isso foi o combustível para suas obras.

Conhecer a casa dela, o Museu Frida Kahlo, foi para mim uma das experiências mais gratificantes, um lugar que eu voltaria, só para sentir esse universo mais uma vez.


Como chegar o Museu Frida Kahlo


O Museu Frida Kahlo fica no número 247 da Calle London, no bairro de Coyoacán, que na verdade é oficialmente um distrito da Cidade do México. Dá para chegar até lá de metrô, a estação mais próxima é a Coyoacán (linha 3). O bilhete custa 5 pesos (88 centavos de real).

A estação fica distante 1.5 km do Museu Frida Kahlo, é super tranquilo ir a pé, só seguir o Google Maps e no caminho vale uma paradinha na maravilhosa Cinemateca do México.

Se você quiser ir de Uber, que funciona muito bem na Cidade do México, vai custar uns 40 reais. A distância é longa e o carro demora uns 40 minutos até lá, podendo demorar mais em razão do trânsito.

Se você não quiser caminhar do metrô até lá, pegue um táxi ou Uber na estação, não vai custar mais de 10 reais.


Como visitar o museu


O Museu Frida Kahlo funciona de terça a domingo das 10h às 17h30 (última entrada às 17h). Nos finais de semana o ingresso custa 220 pesos (38 reais) e de terça a sexta 200 pesos (35 reais). A principal dica é comprar pela internet, pois as filas na porta do museu são gigantes e a entrada é controlada, um grupo a cada 30 minutos. Quem chega lá pelo fim do dia pode nem entrar.

Pela internet a gente consegue comprar para o horário desejado pelo site: https://www.boletosfridakahlo.org/

Para tirar fotos tem que comprar um permiso no balcão interno do museu por 30 pesos (5 reais), vale a pena.

Jardim da casa

A visita começa pelo pátio, as primeiras salas tem várias obras da Frida e do Diego Rivera, muitas fotos originais e alguns objetos dela. A segunda parte são pelos cômodos da casa que foram preservados, como a sala de jantar, cozinha, quartos e o estúdio.

Depois voltamos para o jardim, onde na época de Frida era cheio de pequenos animais. Ali fica a lojinha do museu. Mais adiante fica a casa que foi anexada e que está a exposição  “Las apariencias engañan: los vestidos de Frida Kahlo”, banheiros e um café.


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Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

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