Uma visita a aldeia das mulheres-girafa de Mianmar

Eu era pequeno quando vi pela primeira vez as mulheres-girafa de Mianmar em um Globo Repórter, na época me assustei, mas mesmo assim fiquei fascinado por aquelas figuras diferentes com seus longos pescoços. Acredito que essa seja a primeira reação de todas as pessoas que tem contato com elas pela primeira vez.

Elas são da etnia Kayan da tribo Padaung, originária de Mianmar, antiga Birmânia e hoje vivem em aldeias isoladas no norte da Tailândia, na fronteira com Mianmar.

Na minha viagem pela Ásia, eu passei pela cidade de Chiang Mai, que ficava pertinho da região onde elas vivem. Eu precisava ver essas mulheres de perto e contratei uma guia para poder me levar até lá. A estrada que liga Chiang Mai até Mianmar não era das melhores, meio asfalto, meio de terra com muitas curvas e muitos buracos. Um sufoco!

Entrada da aldeia

Entrada da aldeia

Mas a viagem de uns 80 quilômetros até que foi rápida e chegamos em uma dessas aldeias onde elas vivem no meio da manhã. A visão daquela mulher, com seu longo pescoço dourado brilhando naquele sol forte foi uma imagem insólita, me arrepiei, me senti num documentário do Discovery Channel.

Uma imagem insólita

Uma imagem insólita

Nem preciso dizer que fiquei fascinado, tentei conversar com elas com ajuda da guia que tentava traduzir para o idioma delas, mas sem muito sucesso.

Elas vivem de forma simples, em casas de madeira e palha, sem nenhum luxo. A única modernidade aparente são os radinhos de pilha das mais velhas, e os MP3 players das mais novas.

Isso porque a tradição começa cedo, desde pequenas as meninas recebem os anéis de cobre a cada ano até atingir a maioridade. A tradição é secular e as razões não são claras, mas dizem que os anéis eram para proteger o pescoço dos ataques dos tigres, ou que era um símbolo de status dentro da comunidade. Quantos mais anéis, mais bela e melhor afortunada dentro da aldeia, podendo atingir até 25 aros, pesando até 10 quilos.

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A tradição começa cedo

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Inclusive nos teares

Diferente do que todo mundo pensa, não é o pescoço que é alongado, mas os ombros que são empurrados para baixo, deformando o corpo e dando essa impressão de que o pescoço é alongado.

O mais curioso é que as mulheres-girafa podem tirar os anéis, dá trabalho e o pescoço não cai como a maioria pensa. Mas elas precisam ter muito cuidado para não causar nenhuma lesão, pois o pescoço delas é bem frágil.

Fazendo a Glória Maria haha

Fazendo a Glória Maria haha

 


Mulheres-girafa: prisioneiras ou não?


Agora senta que lá vem polêmica! É bem comum a gente encontrar textos em grande veículos que afirmam que as mulheres-girafa são prisioneiras das vilas e exploradas como atração turística.

Elas vieram de Mianmar numa época em que o país vivia um série de conflitos civis e elas estavam sendo mortas ou vendidas como escravas. Diante desse cenário medonho, elas fugiram para a Tailândia e foram alocadas em áreas do território tailandês próximo da fronteira com Mianmar e o governo passou a fornecer uma ajuda mensal para as tribos.

Ao contrário do que as pessoas dizem, elas não são prisioneiras e sim, elas podem sair e saem das aldeias.

Não é incomum encontrar uma delas andando pelas ruas de Chiang Mai, o problema é que elas chamam muita atenção e por conta disso, preferem ficar reclusas na vila.

Diante do interesse turístico, as operadoras viram um ótimo potencial e as vilas começaram a receber visitas, o povo paga pra ir, elas fazem seus artesanatos e vendem para os turistas e assim a roda gira.


Como visitar


A única maneira de ir até a aldeia das mulheres-girafa é contratando um guia, em Chiang Mai não é difícil conseguir, mas eu já saí do Brasil com tudo contratado. A guia me pegou no aeroporto e no dia seguinte me levou até a aldeia por 50 dólares, toda a viagem é feita no carro dela. Quem se interessar, o email é cmtourguides@yahoo.com, ela se chama Wanpen, uma pessoa extremamente gentil.

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Nem todas usam argolas

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Algumas usam somente nos joelhos

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A aldeia

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Sério, parece incomodar.

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Não sei a razão, mas alguma usam só nas pernas


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mm

Fabricio Moura

Meu nome é Fabricio, moro em São Paulo, sou designer e apaixonado pelo mundo. Descobri que viajar é se perder e se encontrar. Se conhecer melhor e se amar mais. Acumular histórias e experiências. Vamos?

4 Comentários

  • Responder outubro 31, 2016

    Karen Hagy

    Olá Fabricio,

    Muito legal o seu blog, e adorei saber que também se preocupa com a exploração aos animais (post sobre o que fazer em Chiang Mai). Porém as Mulheres Girafa de Mianmar também são exploradas e muito exploradas. Elas desde pequenas são obrigadas a usar o colar para virar atração turística e vivem em situações extremamente precárias. Caso elas decidam não usar a argola, para não chamar a atenção como disse no post, elas deixam de receber ajuda do governo e isso pra mim é muita exploração. Tudo isso para que o turista possa tirar uma foto “legal” com elas. Por um lado o turismo faz sim com que elas “ganhem dinheiro” e asilo no pais, mas continuam vivendo em uma prisão sem cela ,então o que muitas pessoas fazem e eu acho muito legal é levar “presentes” para elas, como escova de dente, brinquedos para as crianças, coisas simples que elas não tem acesso.

    • mm
      Responder outubro 31, 2016

      Fabricio Moura

      Oi Karen, tudo bem? É um “equilíbrio” delicado e desfavorável a questão delas. Mas achei bacana essa sugestão de levarem presentes, coisas que elas não teriam acesso.

  • Responder janeiro 11, 2017

    Maria Helena Granja

    Olá Fabrício, estou lendo seus comentários sobre as mulheres girafas e li tbm. sobre o Camboja e me empolguei.Estou querendo ir pra Tailândia e Camboja mas o problema é que não falo inglês.Vc. sabe se tem guias que falam espanhol?

    • mm
      Responder janeiro 11, 2017

      Fabricio Moura

      Oi, tudo bem? Olha, os guias daquele canto do mundo falam até russo, mas nada de espanhol. Em geral, viajar pela Ásia sem falar inglês é complicado. Eu penso em organizar um grupo esse ano ou no ano que vem, com pessoas que não falam inglês, que nunca fizeram uma viagem tão longa mas que tem vontade de ir e guiar essas pessoas pela Ásia.

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